segunda-feira, 11 de novembro de 2013



REDES DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO BRASIL

As redes sociais podem ser vistas como mais uma das muitas “consequências” do desenvolvimento que se deu com o advento da internet. Impossível hoje viver sem estar conectado a uma rede, qualquer que seja ela, haja vista a necessidade que têm os jovens (os de hoje, em sua maioria; os de ontem, em número já bastante significativo) de estar conectado tempo integral. Para grande número de pessoas, a vida fora dos ambientes virtuais parece estar sendo esvaziada de sentido.
São novas formas de relacionamentos que se estabelecem. E, independendo de ser bom ou ruim, o fato é que a comunicação que se percebe nesses ambientes é, também, oportunidade de aprendizagens múltiplas.
Em tempos de pós-modernidade, as redes sociais oferecem momentos de debates e de argumentação a respeito dos mais variados temas; e as redes que tratam de educação ambiental não fogem a esse padrão de repasse de conhecimento, de oferta de leitura, de ocasião de troca de informações (por vezes, preciosas) entre seus participantes/assinantes/moderadores.

Abaixo, algumas redes que tratam de educação ambiental:

Rede Brasileira de Educação Ambiental

Rede Mineira de Educação Ambiental
“Espaço participativo para a troca de experiências e informações entre profissionais, instituições e cidadãos que trabalham com educação ambiental em Minas Gerais.”

Rede Ambiente
“ONG sócio-ambientalista sem fins econômicos, sediada em Viçosa (MG) e fundada em 30 de março de 1999, por professores, pesquisadores e profissionais liberais, a maioria vinculada à Universidade Federal de Viçosa, com a missão de trabalhar com Educação Ambiental e Meio Ambiente.”

Ambiente Brasil
Uma rede que trata de assuntos diversos, dividida em ambientes. Ainda que o assunto seja sempre a educação ambiental, na página podem ser encontradas as variações necessárias sobre o mesmo tema.


A INSERÇÃO DO TEMA EDUCAÇÃO AMBIENTAL
NAS ESCOLAS


Contar da experiência de inserir temáticas relacionadas à educação ambiental nas escolas é uma tarefa que não me será possível cumprir, uma vez que não vivo essa experiência: posso contar, sim, de minhas percepções, do que observo, do que acaba chegando a mim pela vivência num ambiente educacional que não é uma escola.
Porém, quero relatar o que me ocorreu ao ler, dentre os textos indicados, os Parâmetros Curriculares Nacionais – Meio Ambiente.

Os desafios a enfrentar - Logo na página de APRESENTAÇÃO (169), no primeiro parágrafo, uma constatação conhecida de todos nós: “São grandes os desafios a enfrentar”. Segundo parágrafo, outra: “Os alunos podem ter nota 10 nas provas, mas, ainda assim, jogar lixo na rua, pescar peixes-fêmeas prontas para reproduzir, atear fogo no mato indiscriminadamente, ou realizar outro tipo de ação danosa...”. E, no terceiro parágrafo, a questão que deve angustiar a todos os seres conscientes da importância do cuidado com o nosso planeta: “Como é possível, dentro das condições concretas da escola, contribuir para que os jovens e adolescentes de hoje percebam e entendam as consequências ambientais de suas ações nos locais onde trabalham, jogam bola, enfim, onde vivem?”
Sabemos que as alterações no ambiente ocorrem como consequência do acelerado processo de desenvolvimento, e que as novas tecnologias – todas elas – possuem o seu lado perverso, o seu contraditório. E a lição que o homem precisa aprender, urgentemente, é como superar o desafio de concertar suas ações à constância  da evolução que é parte do nosso crescimento, como habitantes que somos de um mundo que está em processo de mudanças, sempre, desde sempre, para sempre.

Um outro modo de perceber o planeta: é isso que deve ser alterado na forma como (con)vivemos: a interação sociedade/natureza não está ocorrendo de modo a respeitar bens tão preciosos à manutenção de nossa vida. A especulação acerca de recursos naturais, o consumo em larga escala, a exploração desses bens: esses itens que atendem, em primeiríssimo lugar, às leis de mercado são utilizados como se esses benefícios que a natureza nos proporciona finitos não fossem.
E, embora pobreza, injustiça social, baixa qualidade de vida (a mim, são sinônimos) seja uma constante em toda a trajetória humana (desde seus primórdios), evidente que o descaso com questões ambientais potencializa esses problemas. Afinal, como já dito e repetido, a questão ambiental não trata apenas da água, da terra, do ar, do lixo: a questão ambiental permeia toda a atividade dos grupos humanos. E importa, acima de qualquer outra iniciativa, ter em mente que

Transformar e aprimorar a relação entre os seres humanos e desses com o ambiente deve ser o maior objetivo da educação ambiental, lembrando que o termo “ambiente” é muito mais que o ambiente natural: incluímos também os modificados pelo homem, como as instituições sociais, a escola, o ambiente de trabalho, a vizinhança etc. (SEMAD, s/d)

Urge, pois, que sejam pensadas e levadas a efeito “alternativas que conciliem, na prática, a conservação da natureza com a qualidade de vida das populações que dependem dessa natureza” (PCN, p. 176). Afinal, conforme consta nas páginas dos PCNs, “a garantia efetiva da sustentabilidade exige uma profunda transformação da sociedade (e do sistema econômico do capitalismo industrial)” (PCN, p. 178). Essa transformação implicaria o “uso dos recursos renováveis de forma qualitativamente adequada e em quantidades compatíveis com sua capacidade de renovação”, e trariam no seu bojo “relações sociais que permitam qualidade adequada de vida para todos” (Id. Ib.).

A precisão das letras - Como pode ser observado até aqui, o texto dos PCNs relacionados ao meio ambiente trata, com a precisão das letras, do assunto. Mas deixa bem claro que “ainda não foi posta em prática boa parte dessas diretrizes e metas, principalmente as de grande escala, pois a competição no mercado internacional não permite” (PCN, p.178).
Um balde de água fria, um desencorajamento, sensação de impotência... Ah, melhor deixar para lá. Se um texto que vem para mostrar soluções, me diz que não é possível, devo cruzar os braços e esperar que gerações futuras resolvam o impasse (?)... E logo após (p. 180) afirma que “isso implica um novo universo de valores no qual a educação tem um importante papel a desempenhar.” Esse isso está relacionado à busca de novas formas de pensar e agir, novos modelos de produção de bens, garantia de sustentabilidade etc. Não parece que o “sistema” está se omitindo e transferindo responsabilidades? Ainda que a afirmativa colocada um pouco adiante relativize essa “transferência”: “Evidentemente, a educação sozinha não é suficiente para mudar os rumos do planeta, mas certamente é condição necessária para isso” (PCN, p. 181), fica um certo desconforto em quem lê.
Como faço parte do grupo meio démodé (até a palavra démodé é démodé!) dos últimos dos românticos, fiquei feliz ao ler no documento o seguinte: “Só quando se inclui também a sensibilidade, a emoção, sentimentos e energias se obtêm mudanças significativas de comportamento.” Três linhas adiante, uma assertiva que, num discurso coloquial, eu diria que “fechou”, “arrasou”: “É preciso então lidar com algo que nem sempre é fácil, na escola: o prazer” (PCN, p. 182). Após essa leitura, vieram à minha mente textos do Rubem Alves, para quem o prazer no ato de ensinar e no ato de aprender é essencial.

Pontos de discordância - Apreciei a leitura dos PCNs, hoje como estudo e não apenas leitura, embora com as ressalvas colocadas no texto. Devo ressaltar, no entanto, que discordo quando (p. 182) faz-se referência a preconceitos e “à veiculação de algumas imagens distorcidas sobre as questões relativas ao meio ambiente”, e se estabelecem alguns pontos de defesa.
É um luxo e um despropósito defender, por exemplo, animais ameaçados de extinção, enquanto milhares de crianças morrem de fome ou de diarreia na periferia das grandes cidades, no Norte ou no Nordeste. (PCN, p.183)

Sim, eu concordo que é um luxo, em muitos casos. Vemos, por exemplo, um animal sendo amamentado (em mamadeira de verdade!) por uma equipe uniformizada, bem cuidada, em ambientes agradáveis sob o ponto de vista de decoração mesmo; e me pergunto: fariam o mesmo por uma criança?! E se uma criança de rua passa em frente a uma loja que vende televisores e assiste à cena? Como vai se sentir? Valendo menos que um bicho!
Se a educação (não apenas a da escola) fosse relevante (se tivesse sido ao longo dos séculos), o homem aprenderia a não destruir o planeta em prol de seus interesses financeiros e aí não teríamos animais em extinção. E nem teríamos tantas crianças abandonadas não sendo cuidadas com o interesse governamental (humanitário) que o caso exige.
Por isso, enfatizo que discordo quando o texto cita que “a situação das crianças no Brasil não compete com a situação de qualquer espécie ameaçada de extinção” (PCN, p.183.) A meu ver, compete sim!
As pessoas que sofrem privações econômicas são as maiores vítimas da mesma lógica que condena os animais à extinção e que condenará cada vez mais as crianças das próximas gerações: a lógica da acumulação da riqueza a qualquer custo, com exploração irrestrita da natureza e o desrespeito ao próprio ser humano. (PCN, p. 184)

Nem gostei de ler isso: colocou no mesmo “balaio de gato” (perdoem o trocadilho!) crianças e animais. De fato, uma bofetada na nossa (minha) cara.

Para finalizar, algumas considerações - O texto em si é bem interessante de ser lido e conduz você a alguma reflexão, qualquer que seja ela, mas sempre uma reflexão. Em páginas seguintes, trata da formação continuada do professor, de seu papel como orientador de condutas concernentes ao meio ambiente: enfim, uma gama de sugestões e de procedimentos. Como adequadamente fica registrado no texto: “eles (professores) também estão em processo de construção de saberes e de ações no ambiente, como qualquer cidadão” (PCN, p. 189).
Finalizo com um escrito constante da página 205 dos PCNs e que, segundo meu modo de pensar a educação (não apenas a ambiental), define bem a situação a acontecer no cotidiano, na escola, na vida:
É importante, por exemplo, que, ao observar a água de um riacho ou a que sai de uma torneira, os alunos se perguntem de onde ela vem, por onde passou e onde chegará e reflitam (...) e, acima de tudo, saibam que a qualidade dessa água está diretamente relacionada com as ações do ser humano. (PCN, p.105)

Ou seja, um pensar filosófico...


Referências

ALVES, Rubem. Educação dos Sentidos e Mais… Campinas: Verus    Editora, 2005.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: meio ambiente. Brasília: MEC/SEF, 1997.

SEMAD – Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – Portal Meio Ambiente - MG. Educação ambiental para autotransformação.  Disponível em:
<http://www.semad.mg.gov.br/educacao-ambiental>. Acesso em: 1º nov. 2013.




domingo, 6 de outubro de 2013



EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SUAS VERTENTES

...não é possível capturar o real a partir de concepções fragmentárias e instrumentais.
(Nascimento Júnior, Antônio Fernandes)

Se a educação fosse abrangente e integradora,
prescindiria de adjetivos, e as questões ambientais estariam inseridas
em todas as situações educativas vividas pelos cidadãos em seu cotidiano.
(Pádua e Sá, 2002 apud Nascimento Júnior)

... sendo necessário e possível conservar
pedaços do mundo natural em seu estado originário, antes da intervenção humana.
Lugares onde o ser humano possa reverenciar a natureza intocada,
refazer suas energias materiais e espirituais e pesquisar a própria natureza.
(Arruda, Rinaldo, 1997)

A leitura de dois textos disponibilizados no ambiente virtual de nosso curso fez com que eu me sentisse transportada, ao estilo Star Trek (série Jornada nas Estrelas), a uma sala de tribunal de júri, onde um “réu” estaria sendo defendido/acusado. Os advogados/promotores, cada qual no seu papel, fariam utilização de argumentos, bem fundamentados, cada um a seu modo e defendendo os interesses de seus clientes.
Os textos são os que seguem para quem quiser lê-los e viver, por si mesmo, a experiência que nem chego a relatar, mas que aconselho a vivenciar:
Texto 1  Correção política e biodiversidade: a crescente ameaça das “populações tradicionais” à Mata Atlântica. Olmos, Fábio et al. (pág. 279 a 312.). In: Ornitologia e Conservação - Da Ciência às Estratégias, editado por Jorge Luiz Berger Albuquerque et al. Tubarão, SC: Editora Unisul, 2001. 344 p. Disponível em:
Texto 2  “Populações tradicionais” e a proteção dos recursos naturais em unidades de conservação. Rinaldo Arruda. Ambiente & Sociedade - ano II – nº 5 – 2º semestre de 1999. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/asoc/n5/n5a07>.
O que posso inferir das duas leituras é que nós ainda não sabemos como lidar com a situação das comunidades tradicionais (creio que sem aspas fica melhor porque perde a conotação de apelido). Tanto não sabemos que elas são colocadas à margem, estudadas como se fossem "diferentes", sem o "reconhecimento de sua identidade", a "legitimação de seu saber", e, principalmente, sem a "garantia de sua participação na construção de uma política de conservação da qual sejam também beneficiados."
No entanto, sem partir para deificação desses habitantes de nosso país, é preciso estar atento ao fato de que também as comunidades tradicionais talvez não utilizem “os recursos naturais de forma sustentável”.
Fica, pois, a questão, como enfatiza o texto 1, que nos leva à reflexão acerca dos procedimentos em relação a essa temática, a preservação de recursos naturais, tão plena de melindres e nuances: “o ‘bom selvagem ecologicamente correto’ tem alguma base na realidade objetiva em que vivemos, ou não passa de uma ilusão?”
(Postagem referente à atividade 2.3 - Texto individual - Tendências Pedagógicas da Educação Ambiental)